Quem me conhece amiúde, quem lê os meus textos, imagina que sou destemido, ousado e, por vezes, senão sempre, arrogante. Não conhecem metade da reza. Sou tímido, inseguro e tenho medo terrível de tudo a minha volta. Cada olhar que me encontra pode ser um inimigo a me espreitar. Quando mais jovem, porque jovem sempre sou, porque assim é meu espírito, eu exorcizava meus demônios e espantava meus medos nos braços da noite, no acalento da brisa da manhã, borrifado de perfumes que não eram os meus, e sorvido por goles de delírio e prazer que não me pertenciam. Mas o trem da vida continua a seguir o seu destino e se a gente não pula fora sempre chega à próxima estação. Agora que escrevo estas linhas, estou linkado no youtube ouvindo (e não vendo) "Loves come quickly" do PSB. Noites e mais noites ao embalo desta música. E de outras. Ali, naquele mármore de indiferença, desprezo e revolta forjou-se o escritor, que escreve linhas como estas, na busca insana por espantar para longe de si todos os seus medos. E a dúvida cruel persiste. A um passo de distância da liberdade. Um movimento. E de repente tudo se desfaz, se desmancha e a vida se deforma e ganha contornos de Munch. E olhar de Cortazar. Faz frio e a noite chega. O medo é como chama ardente que envolve, domina e consome. Os sinos não irão tocar esta noite. Talvez o façam pela manhã. O copo se quebrou e o líquido é precioso demais para ser sorvido de maneira tão vulgar. Por isso talvez eu adormeça esta noite. Talvez. As roupas estão sobre a cama, a toalha no chão, o gato no telhado, a lauda, em branco, no carro da máquina de escrever, esperando... esperando a sintonia, o momento em que tudo conspira a favor, o momento em que se deflagra a revolta, que se faz a rebelião. Alguém me convenceu que bastariam palavras para a minha vingança. Há de pagar por isso.sábado, 13 de junho de 2009
MEA CULPA
Quem me conhece amiúde, quem lê os meus textos, imagina que sou destemido, ousado e, por vezes, senão sempre, arrogante. Não conhecem metade da reza. Sou tímido, inseguro e tenho medo terrível de tudo a minha volta. Cada olhar que me encontra pode ser um inimigo a me espreitar. Quando mais jovem, porque jovem sempre sou, porque assim é meu espírito, eu exorcizava meus demônios e espantava meus medos nos braços da noite, no acalento da brisa da manhã, borrifado de perfumes que não eram os meus, e sorvido por goles de delírio e prazer que não me pertenciam. Mas o trem da vida continua a seguir o seu destino e se a gente não pula fora sempre chega à próxima estação. Agora que escrevo estas linhas, estou linkado no youtube ouvindo (e não vendo) "Loves come quickly" do PSB. Noites e mais noites ao embalo desta música. E de outras. Ali, naquele mármore de indiferença, desprezo e revolta forjou-se o escritor, que escreve linhas como estas, na busca insana por espantar para longe de si todos os seus medos. E a dúvida cruel persiste. A um passo de distância da liberdade. Um movimento. E de repente tudo se desfaz, se desmancha e a vida se deforma e ganha contornos de Munch. E olhar de Cortazar. Faz frio e a noite chega. O medo é como chama ardente que envolve, domina e consome. Os sinos não irão tocar esta noite. Talvez o façam pela manhã. O copo se quebrou e o líquido é precioso demais para ser sorvido de maneira tão vulgar. Por isso talvez eu adormeça esta noite. Talvez. As roupas estão sobre a cama, a toalha no chão, o gato no telhado, a lauda, em branco, no carro da máquina de escrever, esperando... esperando a sintonia, o momento em que tudo conspira a favor, o momento em que se deflagra a revolta, que se faz a rebelião. Alguém me convenceu que bastariam palavras para a minha vingança. Há de pagar por isso.domingo, 31 de maio de 2009
AGNUS DEI

Sofrer é necessário
é necessário rasgar a carne
lixar os ossos
abandonar aos abutres, as vísceras
é necessário esgotar o sangue
dissecar a pele
entregar à terra, o corpo
é necessário perder os sentidos
cerrar os olhos
deixar a vida, à este mundo, imundo
Sofrer é necessário
para conhecer a verdade,
libertar o espírito
galgar a luz
Viver
quarta-feira, 25 de março de 2009
2012
sábado, 28 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
ESTA É A VIDA MARIO...

O vento tudo leva, a chuva também, e o tempo tudo apaga. Aos poucos. Eu poderia esquecer de tudo à minha volta, ao alcance de minhas mãos e do que está diante dos meus olhos. Mas aquilo que me trouxe até aqui, continuaria dentro de mim: o amor com que escrevo... cada palavra, cada linha, cada frase, a mais verdadeira possível. Portanto, se eu desistir, estarei apenas arrancando uma página. Mais uma. Não será a última.
domingo, 23 de novembro de 2008
VENTOS ALÍSIOS
Não querer muito, mas o necessário

Não almejar o distante, quando é possível alcançar o que está próximo
Admirar a chuva, mesmo sem entender o fenômeno, assim como se agradece a Deus pelo milagre
Por que abraçar o mundo, se ao abraçar o semelhante, nos sentimos em paz e felizes
Ser o primeiro? Onde? Em qual direção? Se o mundo é redondo, a vida infinita e nós todos aprendizes
Como alçar vôo? Se mal sabemos caminhar
Humildade não é assumir a derrota ou a incapacidade, mas saber equilibrar-se sobre a ponte pencil que é a vida humana
E aguardar o momento em que tudo conspira a favor, pois, assim é o momento de nascer, de viver e de morrer
E se viver é um momento em que tudo conspira a favor, então sintonize com Deus, a força maior, amável e amiga, que nos fez, que nos sustenta, e que nos ensina, a cada dia, a cada instante, o caminho para sermos felizes
O que nos falta senão atitude, o primeiro passo, pois a chama que ilumina já está acesa, desde o primeiro instante, dentro de nós.

Não almejar o distante, quando é possível alcançar o que está próximo
Admirar a chuva, mesmo sem entender o fenômeno, assim como se agradece a Deus pelo milagre
Por que abraçar o mundo, se ao abraçar o semelhante, nos sentimos em paz e felizes
Ser o primeiro? Onde? Em qual direção? Se o mundo é redondo, a vida infinita e nós todos aprendizes
Como alçar vôo? Se mal sabemos caminhar
Humildade não é assumir a derrota ou a incapacidade, mas saber equilibrar-se sobre a ponte pencil que é a vida humana
E aguardar o momento em que tudo conspira a favor, pois, assim é o momento de nascer, de viver e de morrer
E se viver é um momento em que tudo conspira a favor, então sintonize com Deus, a força maior, amável e amiga, que nos fez, que nos sustenta, e que nos ensina, a cada dia, a cada instante, o caminho para sermos felizes
O que nos falta senão atitude, o primeiro passo, pois a chama que ilumina já está acesa, desde o primeiro instante, dentro de nós.
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