
domingo, 24 de janeiro de 2010
CINCO LETRAS

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
LÁPIS JÁ NÃO ESCREVE POESIA
Se eu estivesse junto de você
Eu resistiria
Subiria a montanha
Atravessaria o oceano
A floresta
O céu
Só, longe,
Sou como o profeta
Que atravessa o deserto
Trazendo nos olhos
Única certeza
E nas costas
O peso da verdade
A platéia imagina
Que o autor
Dificulte as coisas
Para que haja história
Mas não sabe que a história
Não pertence ao autor
Ela é apenas uma oportunidade
D’ele entender a vida
Em comunhão
Com o seu semelhante
O autor conhece o destino
E nada pode fazer
Para mudá-lo
Você entende?
Quando eu lhe digo essas coisas?
domingo, 3 de janeiro de 2010
UMA HISTÓRIA DE AMOR

Sol e lua ocupam o mesmo espaço, mas jamais se encontram. Um dia o sol quis saber o motivo. Perguntou à lua: Por que tão longe e ao mesmo tempo tão perto de mim? A lua, derramando lágrimas respondeu: Por que é desse modo que o mundo precisa de nós. E assim que podemos servir ao mundo.
Mas eu te amo, disse o sol. Eu também, a lua respondeu. E talvez isso baste, disse ainda. O sol, então, adormeceu, porque já eram seis horas do lado de cá do mundo.
A lua, mãe amorosa despertou para mais uma noite, quando, mais uma vez, veria calada todas as dores do mundo que, à noite, adquirem maior dimensão e intensidade. E se pôs a orar unindo-se em pensamento ao seu amado sol. Porque sabia que mesmo do lado de lá ele tinha os olhos voltados para ela.
OUT LOVE NIGHT
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
CALENDÁRIO
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
BOM DIA, MEDO

Eu poderia começar diferente
É Natal, o momento é propício
Falar de esperança e certeza
De alegria e sonhos
Mas o que isso tem a ver?
O que tem a ver comigo?
Se ele me persegue
Onde quer que eu vá
Se ao amanhecer
Eu caminho
Pela estrada deserta
Ele está ao meu lado
É o abismo
Que aos poucos se agiganta
Dentro de mim como
Monstro insaciável
É o escuro dos meus olhos
A sufocar a noite
O gelo do meu coração
Medo
Sem nome, sem rosto
Sem motivo
Acompanhado de sua dama
A solidão
Ele me faz ver
Tudo o que não tenho
Tudo o que não sou
E aponta-me o caminho
E mostra-me o tempo
Dentro de um arco Iris
Por onde me convenceu um dia
Eu pudesse seguir
Medo
Ancião de barbas e cabelos longos
Coberto de andrajos
Feridas expostas
Pés descalços
Olhar compenetrado
Um vulto na janela do quarto
A me olhar quando eu era criança
Imagem no espelho
Que eu encontrava na juventude
Todas as manhãs, todas as noites
Medo
Sem rosto, sem nome, sem motivo
A me seduzir, dia após dia
Noite adentro
Talvez me ame
E não viva sem mim
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
MUITO ALÉM DO JARDIM

Todo aquele que escreve é um apaixonado.
Afinal, por que dar o melhor de si a quem jamais irá conhecê-lo
Por que desnudar-se para olhos alheios, possessos de cobiça
Que o desejam para se apoderarem do seu melhor sentimento
E sua única vontade, pra depois, de usá-lo, jogá-lo
No quintal imundo de uma consciência perdida
Por que imaginar que os olhos que te lêem
Querem entendê-lo, e assim, apaziguar
O tormento que carregas dentro de ti
Que te consome a cada instante
Em forma de palavras
Escritas
Malditas
Por quê?
Por que passar os dias a viver para os outros
E conceber um sonho que vai deixá-lo
Assim que abrires os olhos
Para o instante seguinte
Quando deitar o lápis
Querendo descansar
Imaginando-se convicto
Que cumpristes a missão
Quem és tu?
Pensas que és Deus?
E que todos aqueles olhos que te lêem
Acreditam nisto?
És um jardineiro!
Que sem plantas a cuidar
Sem flores a sorrir
Percorre a lembrança dos lírios e das gérberas,
Das orquídeas e violetas
E deixa-se sentar no gramado úmido
Num final de tarde como este
Esperando o pôr do sol
Que não demora a vir
O último
